* Integrantes da polícia dizem que decisões do ministro do STF configuram interferência sobre a instituição
* Objetivo do órgão é que a AGU encontre algum remédio judicial contra atos que aumentaram controle do magistrado
A Polícia Federal acionou, na última semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) contra medidas impostas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que aumentaram o controle do caso que investiga as fraudes nos descontos no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).

As investigações sobre o caso envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O objetivo do órgão é que a AGU encontre algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro para que todos os atos da apuração sejam imediatamente
juntados ao processo que tramita em seu gabinete.
Ele também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente ao seu gabinete. Nos bastidores, pessoas com acesso à cúpula da polícia classificaram as medidas como uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências do órgão.
A decisão de compartilhar os dados diretamente com o gabinete também foi vista como um sinal de uma possível desconfiança do ministro em relação à imparcialidade da polícia na condução do caso. Um investigador ligado às apurações disse que, se Mendonça avalia que há perseguição ou proteção a alguém ou alguma irregularidade, ele deve formalizar isso no processo e não ir contra uma instituição por uma suspeita genérica.
A reportagem não conseguiu contato com o gabinete de Mendonça para falar do assunto e a AGU não respondeu sobre o pedido. A PF também não comentou o assunto. As investigações do caso, no âmbito da Operação Sem Desconto, são consideradas sensíveis por envolverem Lulinha. Ele teve as suas quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático autorizadas pelo ministro em fevereiro.
Uma das linhas de investigação é que o filho do presidente seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes. A ida da PF à AGU representa uma escalada na crise entre Mendonça e a polícia. Devido à insatisfação do relator com o que vê como lentidão das investigações sobre o caso, o ministro havia determinado anteriormente que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na operação, como celulares, HDs, e pen drives dos presos.
Em resposta, a PF informou ao ministro que precisaria de mais prazo e falou em falta de pessoal. A polícia disse que há 11 pessoas atuando na investigação, enquanto seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro. Também afirmou que a análise global do material, de cerca de 1.700 itens, encontra-se em estágio inicial e que teria finalizado cerca de 40%.
O ministro também havia pedido, em ofício enviado à corporação, que o órgão mantivesse a equipe de investigação e, em caso de alterações, que fossem apresentadas justificativas no processo. A determinação foi feita devido a sua insatisfação com trocas na coordenação do caso feitas pela Polícia Federal. Ele avaliou que essas mudanças têm contribuído para a demora da conclusão da operação.
Também há uma percepção, entre autoridades que acompanham o caso, de que, apesar de ser mais antiga, a Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master e teve a primeira fase deflagrada em 18 de novembro.
A PF já havia anunciado a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e realocado a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que investiga pessoas com foro privilegiado. Na ocasião, o chefe da divisão antiga, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, foi pego de surpresa com a decisão da cúpula da Polícia Federal.
A polícia argumentou que a mudança foi feita para assegurar maior eficiência às investigações porque a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores tem estrutura para a condução de operações sensíveis com tramitação no STF.
As mudanças da PF levaram a oposição a acusar a corporação de proteger o filho do presidente. O assunto também tem gerado um racha entre investigadores que trabalham no caso. Sob reserva, parte deles diz ver a opção de avançar sobre o filho do presidente como uma
mudança do rumo das apurações e afirma que, até o momento, não há provas suficientes de que ele tenha cometido irregularidades. A defesa de Lulinha sempre negou que ele tenha cometido qualquer ilegalidade.
Os investigadores também têm feito críticas internamente à condução de Mendonça, assim como no caso da Compliance Zero. Segundo eles, os pedidos para quebra de sigilo ou de bloqueio de bens feitos pela PF ao gabinete não têm a mesma velocidade em suas análises, dependendo de quem são os alvos.
Fonte: PF aciona governo contra Mendonça no caso INSS e Lulinha - 30/07/2026 - Política - Folha
Operação Nova Aliança integra a cooperação entre Brasil e o país vizinho no enfrentamento ao narcotráfico na região de fronteira
A Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai iniciam, nesta segunda, a 56ª fase da Operação Nova Aliança.
“Nesta etapa, as ações estarão concentradas na região de fronteira com ocorrência de cultivo ilícito de maconha e de atuação de organizações criminosas transnacionais”, diz a PF.

As equipes farão operações aéreas e terrestres voltadas à localização, à erradicação e à destruição de plantações ilegais, bem como à desarticulação de estruturas utilizadas para produção e para armazenamento de drogas.
Realizada desde 2012, a Operação Nova Aliança integra a cooperação entre Brasil e Paraguai no enfrentamento ao narcotráfico na região de fronteira.
“Além das ações de erradicação de cultivos ilícitos, a operação prevê a recuperação de áreas degradadas pelo cultivo ilegal, conduzida pelos órgãos paraguaios competentes”, diz a PF.
A operação seguirá até o dia 7 de agosto e contará com o apoio da Força-Tarefa Conjunta e do Ministério Público do Paraguai.
Fonte: PF mira crime organizado em operação conjunta com o Paraguai | VEJA
Polícia Federal apreendeu 49 mil dólares em dinheiro vivo ligados ao senador Jaques Wagner em Brasília(DF)
O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula (PT) no Senado, foi intimado pela Polícia Federal a depor em agosto na investigação relativa ao caso Master. Ele foi alvo de operação em junho sob suspeita de ter recebido pagamentos do banco
de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da nora do parlamentar e de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master e próximo a Wagner.
O depoimento está previsto para a primeira semana de agosto. Procurada, a defesa do senador ainda não se manifestou. Em evento em Salvador, Wagner afirmou nesta terça que, por orientação da sua defesa, não irá falar sobre o tema. "Eu estou falando só sobre campanha e ele responde sobre isso aí. Mas eu estou tranquilo. Acho que, assim como em 2018, a inocência será provada, independente dessa agitação que está agora."
O senador foi alvo de busca e apreensão em fase da Operação Lava Jato, em 2018. Na operação da PF sobre o Master que mirou o parlamentar, foram encontrados US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em endereços ligados a ele.
Wagner defendeu que o dinheiro, aproximadamente US$ 55 mil, tem origem legal. "Algumas vezes, eu indo viajar, comprei dólar no Banco do Brasil. Mas toda vez que você viaja pelo Senado tem diária, que pode ser paga, depositada na sua conta ou pedida em dólar. Sempre peço em dólar, que é uma forma também de eu economizar e guardar", disse o senador.
A busca e apreensão contra o senador levou o petista a deixar o cargo de líder do governo Lula no Senado. Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com Lula em 24 de junho. O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio
senador tomasse a iniciativa de se afastar. "Decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do governo no Senado Federal", escreveu Wagner nas redes sociais, após a saída da liderança. "Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado."
Fonte: Jaques Wagner é intimado a depor no caso do Banco Master - 21/07/2026 - Política - Folha
Mandado de busca e apreensão foi cumprido na cidade nesta terça-feira (14). Segundo a investigação, vítimas eram atraídas com falsas ofertas de emprego e acabavam submetidas a trabalho forçado.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (14), um mandado de busca e apreensão em São José dos Campos durante uma operação que investiga um esquema de tráfico internacional de pessoas.
Segundo a corporação, os suspeitos aliciavam brasileiros com falsas promessas de emprego no Sudeste Asiático.
De acordo com a PF, a investigação apura o recrutamento de vítimas para os chamados "scam centers", centros utilizados para aplicação de golpes eletrônicos. Nesses locais, as pessoas eram obrigadas a trabalhar sob ameaças e agressões, após terem os passaportes retidos e serem privadas de liberdade.
A investigação começou após uma comunicação do Ministério das Relações Exteriores sobre a repatriação de brasileiros que apresentavam indícios de terem sido vítimas de tráfico de pessoas na região de fronteira entre Camboja e Vietnã.
Segundo a Polícia Federal, os investigados prometiam altos salários, vagas de emprego no exterior e custeavam as despesas da viagem. Ao chegarem ao destino, porém, as vítimas eram forçadas a participar de fraudes eletrônicas aplicadas contra pessoas de diversos países.
Além do mandado de busca em São José dos Campos, a 6ª Vara Federal de Santos decretou a prisão preventiva de um dos investigados, que está no Camboja desde julho de 2025 e é considerado foragido.
A Justiça também determinou a inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Um segundo investigado foi alvo de medidas cautelares.
As vítimas já retornaram ao Brasil. Os investigados não tiveram as identidades reveladas pelas autoridades. Eles poderão responder pelo crime de tráfico internacional de pessoas.
Fonte: Tráfico internacional de pessoas: PF faz operação em São José | G1
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