PF deflagra desdobramento de operação que prendeu vereadores no CE e mira R$ 500 milhões em movimentações suspeitas

Na fase anterior, investigações apontaram possível envolvimento de parlamentares no financiamento ilícito de campanhas eleitorais por parte de facções criminosas

A operação, comandada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), ocorre de forma simultânea em municípios do estado e também em Belo Horizonte (MG). Os mandados foram expedidos pela expedidos pela 93ª Zona Eleitoral, e ao menos 108 policiais federais e civis foram mobilizados em 27 equipes operacionais.

Segundo a PF, o objetiva desta fase da operação é a "desarticulação financeira da organização criminosa, com ênfase na apuração de crimes de lavagem de capitais e de delitos correlatos". O fluxo bancário de meio bilhão de reais, conforme a polícia, indica "possível utilização de mecanismos para ocultação e para dissimulação de recursos ilícitos".

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Fase anterior
No dia 12 de março, na operação intitulada como "Traditori", foram presos os seguintes vereadores:

  • Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT);
  • José Regis Nascimento Rumão (PP);
  • José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB);
  • Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova;
  • Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora da Câmara.

Ainda em março, todos eles tiveram a prisão domiciliar concedida. Eles cumprem medidas cautelares como o uso de tornelezeira eletrônica e foram afastados dos respectivos cargos e mandatos.

A FICCO/CE é composta pela Polícia Federal, pela Polícia Civil do Ceará, pela Polícia Militar do Ceará, pela Perícia Forense do Ceará, pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais.

Segundo a Polícia Federal, vereadores e agentes públicos investigados tiveram as campanhas de 2024 financiadas por uma facção criminosa e, em troca, concediam benefícios políticos e institucionais ao grupo. Ao todo, a Traditori cumpriu 16 mandados de prisão preventiva — cinco contra vereadores — e 30 de busca e apreensão, na Câmara Municipal e em endereços ligados aos investigados. As ordens foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

"A investigação, iniciada após o compartilhamento legal de dados fornecidos pela Delegacia de Polícia Civil de Morada Nova e pela DPI Sul, revelou a existência de um esquema criminoso vinculado a uma facção responsável pela movimentação e pela ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, evidenciando a infiltração do crime organizado na esfera pública", informou a PF àquela altura.

Fonte: PF deflagra desdobramento de operação que prendeu vereadores no CE e mira R$ 500 milhões em movimentações suspeitas